
Tudo aconteceu muito rápido. Angela estava num fase difícil da vida dela, problemas em casa, problemas com o namorado, problemas com o emprego, problemas e mais problemas. Parecia que não tinha mais sossêgo em lugar nenhum.
Tudo aconteceu muito rápido. No meio de tanta turbulência, apareceu o João. Ela nunca tinha conhecido alguém assim. Passaram a conversar bastante, talvez ela só precisasse disso, mas João queria mais. Numa das conversas entre eles, ele disse olhando nos olhos dela: "Angela eu quero te conhecer melhor, não só como amiga, mas como pessoa, como uma mulher".
Ela se arrepiou toda depois que ouviu isso, nunca ninguém foi tão incisivo com ela, tão direto, tão simples. Havia um porém nisso tudo, seu namorado. Ele era um cara legal, no geral, havia coisas nele que ela não entendia, como por exemplo o fato dele largar tudo, sempre, pra ficar com os amigos. Diversas vezes ela tentava fazer com que a noite deles fosse agradável, queria ficar a sós com ele, queria ficar namorando mesmo, só que isso não era tão fácil assim. Ela não era suficiente pra ele. Com Angela ele era sempre aéreo, mal prestava atenção ao que ela dizia e sentia. Enfim, era uma relação frágil, cheia de ausências e assuntos mal resolvidos. Até o sexo era algo que não estava indo bem, a regularidade dependia dela, mas como sentir vontade de fazer sexo com alguém que já não estava mais interessado em quem ela era? Ela não era só um corpo, era mente, era espírito, era carinho, era intensidade e tantas outras coisas que existe numa mulher.
João apareceu e bagunçou tudo. Ligou pra ela durante a semana e chamou-a pra sair. O lugar ela escolheria. Sairia mais cedo da universidade e iria ao encontro dele. Angela e João passaram uma noite agradável no Pontal do Cabo, um charmoso bar no final da orla de sua cidade. Na volta pra casa, Angela permitiu que João a beijasse no rosto na hora de se despedir. O coração dela disparou nessa hora. João percebeu isso, e ao invés de ir avançando e se aproveitar da situação, ele apenas olhou pra ela e com um sorriso nos lábios disse-lhe: "Até amanhã, durma bem".
Angela mal se aguentava de tanta alegria. João era mesmo diferente dos outros. Os dias foram passando e numa outra oportunidade, Angela, que quis beijar João, e assim o fez.
Foi um beijo cheio de carinho, ela sentiu isso, João segurava o rosto dela delicadamente enquanto a beijava, era um cavalheiro e sempre deixou bem claro que nunca iria fazer nada sem o consentimento dela.
E assim, fora do padrão dos relacionamentos comuns e do conceito de fidelidade, ela foi se tornando uma mulher mais feliz. Com o tempo, como era de se esperar, ela foi se sentindo culpada por ainda manter um "namorado" postiço, que só fazia sair com ela como se fosse obrigação, que só a enxergava como um corpo atraente e como uma pessoa que preenchia em parte o vazio que ele era. A quem Angela contou sobre João, em nenhum momento julgaram errado o que ela estava fazendo, em primeiro lugar, ela tinha que ser amada, ser respeitada e esse namorado dela há muito que não fazia isso, e mesmo ele agindo dessa forma ela ainda o amava de um jeito que não sabia explicar pra ela mesma. Alguns amigos chamavam isso de apego por causa do tempo que estavam juntos.
Numa noite de sexta-feira, Angela no final de uma festa com os amigos dele, ela entediada acabou por ficar com raiva da omissão dele com ela, os dois tiveram uma conversa amarga e ficou por isso mesmo.
Dias depois ela ligou pra João, contou-lhe o que aconteceu, João imediatamente foi ficar com ela, levou-a para praia e ficaram sentados na areia, ele abraçando-a sem dizer uma palavra e sem esboçar qualquer emoção, João estava triste por vê-la triste, e nada mais importava.
Mesmo com ânimo baixo, Angela aceitou o convite dele de passar um dia numa pousada do litoral sul. Foram para a Pousada Aruanã e o visual de tudo aquilo fez ela esquecer o mundo a sua volta. O lugar era lindo, a praia belíssima, a piscina enorme e com uma decoração encantadora. Jantaram e ficaram conversando na área de jogos até perder a hora. Foram para o quarto e tiveram o maior envolvimento possível que duas pessoas poderiam ter. Se abraçaram, se beijaram, se acariciaram, foi um momento mágico pros dois, fazia tempo que ninguém conseguia tocá-la desse jeito, tudo o que aconteceu foi do jeito que ela quis, na velocidade que ela quis, e com a intensidade de algo único que jamais tinha acontecido entre os dois.
E isso foi só o início...