Criei um calo na mão e não tinha visto,
Não que ele fosse imperceptível,
Era um calo amarelado no fim da minha palma,
Bem ali ao lado esquerdo da mão direita.
Não o tinha percebido, nunca me fizera nenhum mal,
Também nunca me fizera nenhum bem,
Ele apenas existia sem qualquer utilidade,
Junto com as linhas da mão, que dizem tantas coisas,
Pensei eu mesmo removê-lo,
Passaria cremes, usaria uma lixa,
Mas aquilo não me incomodava,
Aquilo só existia,
Como tantas outras pessoas que conheço,
Esse calo às vezes representava a mim mesmo,
Na palma daquela que tanto amei um dia...

