
Chove lá fora novamente,
aqui você me mata com sua frieza,
eu corro pra outros cômodos,
mas você sempre me alcança,
enjoa da minha comida,
sai a noite e come outra vadia,
não suporto mais te carregar pro quarto,
cheirando a alcool e sujo de cigarros,
tiro ao menos seus sapatos,
me perco vendo tv num canal sem imagens,
há anos que não vejo minha família,
não tenho vida,
só existo pra você,
nem me agradeçe pelo trabalho,
de tirar manchas de batom barato.
Essa foi a última vez,
vou embora no próximo trem,
você nem me escuta quando choro,
eu também não tenho mais lágrimas,
só mágoas de promessas não cumpridas,
afinal, fui eu quem escolhi partir com você,
não suporto me olhar no espelho,
parece que roubaram minha alma,
fiz meu lar no seu mundo podre,
agora sou eu que vou embora.
Não apareça pra me pertubar,
eu já te falei tudo há meses atrás,
esqueça o que houve e que eu existi,
só me resta dor e tentar um recomeço,
pra mim e essa criança que mal conheço...