
Hoje senti minha dor plagiada, chorei ao ler tamanha afinidade, emoções afloraram diante do livro aberto em minhas mãos e não pude esconder o contentamento de ler algo que parecia ter saído de mim mesma. Cada pessoa é um mundo, então não façamos suposições tolas...
Camilo Pessanha - Clepsydra
I * Caminho
Tenho sonhos cruéis: n’alma doente
Sinto um vago receio prematuro
Vou a medo na aresta do futuro.
Embebido em saudades do presente.
Saudades d’esta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir’m o coração d’um véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d’harmonia,
Toda a luz desgrenhada que allumia
As almas doidamente, o ceo d’agora,
Sem ella o coração é quase nada:
- Um sol onde expirasse a madrugada
Porque é só madrugada quando chora.
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