
Passei a dor adiante. Ela já não era mais capaz de absorver tudo o que eu sofria. Não era necessário dar explicações, minhas feições já denunciavam minha suposta indiferença. A dor foi gentil comigo, nos encontrávamos furtivamente, ela só se mostrava pra mim quando estávamos a sós, ela sabia meus motivos e chegava até a acenar positivamente com a cabeça.
- O que foi que te fizeram desta vez, ela perguntava preocupada.
Com a fronte baixa e os olhos marejados respondia:
- Nada que um pouco de sua companhia e minha reflexão não possam curar.
Um comentário:
Sempre cura né?! Por mais tempo que leve... cura!
=***
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