09 março, 2013

Confissão


Desmorono-me.

Reconstruo-me.

Entretanto quebram-me.

Usurpam-me.

Subornam-me.

Estupram-me.

Numa velocidade mais rápida do que posso me reconstruir por inteira.

Volto com falhas, avarias e algumas vezes sem funcionar.

Não entendo qual é o meu problema, não entendo qual é o problema dos outros, só sei que estamos quebrados.

Rebocam-me.

Sem meus amigos já estaria jogada num canto de parede fria e suja. Agradeço-os pela ajuda, pelos conselhos, pelos ombros e mãos estendidas quando quase me perco em algum novo buraco.

Mais eu sempre tropeço. Duvido do real, do exato, do fato, da regra, da falha, do mal.

Destroçam-me.

Debocham-me.

E ainda assim, ergo-me. 

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