08 abril, 2013

Nosso sertão




(Em 01/04/13 voltando do Maranhão)  

Árvores secas e quebradiças com seus galhos tentando alcançar o céu para suplicar por chuva,

Leitos de rios secos, solo seco e rachado, como os sulcos no rosto dos mais velhos, com um sofrimento intrínseco de vários anos,

Gado magro, ossudo, nauseabundo, os quais nem as moscas se interessam por vir,

Pequenas construções em homenagem aos incontáveis acidentes na estrada, túmulos solitários que contemplam a vida que insiste em viver ali,

Céu azul, límpido, como se espelhasse água ou os olhos de outros povos,

Água é luxo, é ouro que cai do céu ou é trazido nos carros pipa,

A dona de casa que espia no beiral da janela os filhos brincando com pedras, cachorros magros e banguelas com suas barrigas inchadas,

Urubus rastreando o cheiro da morte mais eficazes do que qualquer satélite ou tecnologia.

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