(Em 01/04/13 voltando do Maranhão)
Árvores secas e quebradiças com seus galhos tentando
alcançar o céu para suplicar por chuva,
Leitos de rios secos, solo seco e rachado, como os sulcos no
rosto dos mais velhos, com um sofrimento intrínseco de vários anos,
Gado magro, ossudo, nauseabundo, os quais nem as moscas se
interessam por vir,
Pequenas construções em homenagem aos incontáveis acidentes
na estrada, túmulos solitários que contemplam a vida que insiste em viver ali,
Céu azul, límpido, como se espelhasse água ou os olhos de
outros povos,
Água é luxo, é ouro que cai do céu ou é trazido nos carros
pipa,
A dona de casa que espia no beiral da janela os filhos
brincando com pedras, cachorros magros e banguelas com suas barrigas inchadas,
Urubus rastreando o cheiro da morte mais eficazes do que
qualquer satélite ou tecnologia.
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